quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Público especializado


Ontem (1/11/13), fui ver a apresentação de um espetáculo de mímica /teatro O ninguém. Artistas: Stefanie Herzog (atriz) e Marcos Caldeira (diretor e trilha sonora).

Stefanie Herzog, o pouco que conheço, atriz e musicista disciplinada com um plano mental muito desenvolvido. Marcos Caldeira, teatrólogo com a música impregnada na alma.

Local: A Nave - Longe do cenário (principalmente o publicitário) artístico.

Acompanhei o processo como público. E posso falar com esse ponto de vista tendencioso: o do que vê, recebe a obra teatral, que é a síntese da vivência artística.  

A primeira vez que se apresentou, o trabalho (bem no início) não tinha absolutamente nada que se aproveitasse. Nada nada nada nada: Tudo fora. Não dava nem para tecer críticas. Tinha apenas a entrega da atriz, o tatear típico no escuro de quem busca algo que ainda não se manifestou. Os clichês habituais que insistem em se materializar nos inícios de processos, a coragem de assumir a exposição.

A segunda vez que vi, semanas mais tarde, foi em uma sessão que estava na plateia Ananda, Luara, Jander, Natália e Eu. Já tinha... Não acontecia ainda. Mas já estava se desenhando. Nesse dia, o teatro aconteceu depois que acabou a apresentação, discutindo sobre o processo, Ananda, 1 ano e meio, em gramelô (uma língua inventada por ela) narra alguns acontecimentos. Mas ela narra com uma admiração de que tudo é novidade, até o narrar é uma novidade para ela, o se comunicar em uma linguagem vocal de construção de frases sonoras é novo, se vê claramente a áurea do estar no hoje. As conversas paralelas começaram a cessar e ela atraiu o foco, a primeira vez que foi assistir a uma peça teatral, acabou fazendo teatro. Com o poder da inocência instaurou condições para o teatro se manifestar. Possivelmente, mais tarde pode fazer essa experiência mais consciente (levando em consideração que a mãe (Natália) é atriz e artesã, e o pai (Jander) um artista que trabalha com educação) cogito matematicamente uma possibilidade de que venha experimentar o teatro. Digo consciente no sentido de saber que existem as referências (passado e futuro), e com uma atenção no presente, algo que não é cotidiano pode se instaurar. A consciência de preparar, se preparar constantemente, para que o teatro se manifeste. Uma atriz, a pessoa que ensaia, que repete uma concepção para ter consciência que nada se repete.

A terceira vez, estava Eu, Luara e Ofélia, gata de poucas semanas. Luara, junto com Marcos, estamos em cena a mais de 10 anos juntos, uma atriz que nas nuances de seus personagens, permeia uma abertura dimensional de um tom visceral que se matiza com o contexto.  O teatro já estava se manifestando, aí pode se soltar respirar criticar, porque já está acontecendo... Nesse caso: Pontualidades a ajustes apolíneos e cuidar: aumentar a intensidade de impregnações dionisíacas.

Pré-estréia, dia que precedia o feriado de finados. Feriado que atrai turismo, a cidade um pouco mais barulhenta do que de costume, o sol aparece e desaparece. O Púbico especializado:  Eu, que tenho a pretensão de tecer essa crítica; Gabriel, o fotografo que pinta o astral impregnando as imagens presente, o registro que nunca é de algo pretérito, por ser artístico; Alemão Izneique, a consciência lúcida dos contempladores filosóficos;  Vida, apareceu “ao acaso”, com a vibração criativa do Vale do Capão, Chapada Diamantina. Parruni, cinéfila e musicista: em intensidades sussurradas; Bruninho, viajante verbal em discussões humanas. Público exigente –Seleto!

Apresentação perfeita: preparação do ambiente no interior, na rua a distração habitual de público, no caso, com esse público, uma distração que já estava atenta à apresentação. Todo o processo que acompanhei foi impecável, no sentindo de público certo para a obra certa. Lucro da bilheteria: 5 reais e bebidas etílicas para o coquetel de pré-estréia. Coquetel: Discussões que ecoam (e impregnam) na sabedoria do balcão.

A crítica: consciência que tudo acontece o tempo todo em todos os lugares.



Foto: Gabriel Varalla
                                                                                
                                                                                 
Foto: Gabriel Varalla

Foto: Gabriel Varalla
                                                                        
Estréia: dia de finados - porta aberta para os mortos assistirem o silêncio!

Foto: Gabriel Varalla
                                                     

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