Ontem (1/11/13), fui ver a
apresentação de um espetáculo de mímica /teatro O ninguém. Artistas: Stefanie
Herzog (atriz) e Marcos Caldeira (diretor e trilha sonora).
Stefanie Herzog, o pouco que
conheço, atriz e musicista disciplinada com um plano mental muito desenvolvido.
Marcos Caldeira, teatrólogo com a música impregnada na alma.
Local: A Nave - Longe do cenário
(principalmente o publicitário) artístico.
Acompanhei o processo como
público. E posso falar com esse ponto de vista tendencioso: o do que vê, recebe
a obra teatral, que é a síntese da vivência artística.
A primeira vez que se apresentou,
o trabalho (bem no início) não tinha absolutamente nada que se aproveitasse.
Nada nada nada nada: Tudo fora. Não dava nem para tecer críticas. Tinha apenas
a entrega da atriz, o tatear típico no escuro de quem busca algo que ainda não se
manifestou. Os clichês habituais que insistem em se materializar nos inícios de
processos, a coragem de assumir a exposição.
A segunda vez que vi, semanas
mais tarde, foi em uma sessão que estava na plateia Ananda, Luara, Jander,
Natália e Eu. Já tinha... Não acontecia ainda. Mas já estava se desenhando.
Nesse dia, o teatro aconteceu depois que acabou a apresentação, discutindo
sobre o processo, Ananda, 1 ano e meio, em gramelô (uma língua inventada por ela)
narra alguns acontecimentos. Mas ela narra com uma admiração de que tudo é
novidade, até o narrar é uma novidade para ela, o se comunicar em uma linguagem
vocal de construção de frases sonoras é novo, se vê claramente a áurea do estar
no hoje. As conversas paralelas começaram a cessar e ela atraiu o foco, a
primeira vez que foi assistir a uma peça teatral, acabou fazendo teatro. Com o
poder da inocência instaurou condições para o teatro se manifestar.
Possivelmente, mais tarde pode fazer essa experiência mais consciente (levando
em consideração que a mãe (Natália) é atriz e artesã, e o pai (Jander) um artista
que trabalha com educação) cogito matematicamente uma possibilidade de que
venha experimentar o teatro. Digo consciente no sentido de saber que existem as
referências (passado e futuro), e com uma atenção no presente, algo que não é
cotidiano pode se instaurar. A consciência de preparar, se preparar
constantemente, para que o teatro se manifeste. Uma atriz, a pessoa que ensaia,
que repete uma concepção para ter consciência que nada se repete.
A terceira vez, estava Eu, Luara
e Ofélia, gata de poucas semanas. Luara, junto com Marcos, estamos em cena a
mais de 10 anos juntos, uma atriz que nas nuances de seus personagens, permeia
uma abertura dimensional de um tom visceral que se matiza com o contexto. O teatro já estava se manifestando, aí pode se
soltar respirar criticar, porque já está acontecendo... Nesse caso:
Pontualidades a ajustes apolíneos e cuidar: aumentar a intensidade de
impregnações dionisíacas.
Pré-estréia, dia que precedia o
feriado de finados. Feriado que atrai turismo, a cidade um pouco mais
barulhenta do que de costume, o sol aparece e desaparece. O Púbico
especializado: Eu, que tenho a pretensão de tecer essa crítica; Gabriel,
o fotografo que pinta o astral impregnando as imagens presente, o registro
que nunca é de algo pretérito, por ser artístico; Alemão Izneique, a
consciência lúcida dos contempladores filosóficos; Vida, apareceu “ao
acaso”, com a vibração criativa do Vale do Capão, Chapada Diamantina. Parruni,
cinéfila e musicista: em intensidades sussurradas; Bruninho, viajante verbal em
discussões humanas. Público exigente –Seleto!
Apresentação perfeita: preparação do ambiente no interior, na rua a distração habitual de público, no caso, com esse público, uma distração que já estava atenta à apresentação. Todo o processo que acompanhei foi impecável, no sentindo de público certo para a obra certa. Lucro da bilheteria: 5 reais e bebidas etílicas para o coquetel de pré-estréia. Coquetel: Discussões que ecoam (e impregnam) na sabedoria do balcão.
A crítica: consciência que tudo
acontece o tempo todo em todos os lugares.
Foto: Gabriel Varalla
Foto: Gabriel Varalla
Foto: Gabriel Varalla
Estréia: dia de finados - porta aberta para os mortos assistirem o silêncio!
Foto: Gabriel Varalla




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